Edward Zwick assina Blood Diamond, com Leonardo DiCaprio e Jennifer Connelly.
É um filme que podia ser genial, sem o ser. No entanto aborda de uma forma interessante a questão do tráfego de diamantes em paises sub-desenvolvidos, como é o caso da Serra Leoa.
Mais importante do que a narrativa e a acção, bem entalada num filme de 2 horas e tal (mais precisamente 143 minutos), é a teoria que desenvolve sobre a oferta e a procura de diamantes, na tese de que os grandes negociadores de diamantes mantinham a oferta reduzida, comprando e guardando os diamantes explorados nestes países, em vez de inundarem o mercado com demasiada oferta, afim de manter o preço de venda dos diamantes, ao nível mundial, estável.
Podemos observar esta tática, factualmente, com o mercado do ouro negro. O petróleo, sendo um bem escasso, é detido por uma dúzia de países, que controlam a sua produção de forma concertada.
Os Estados Unidos, por seu lado, ao abrigo de protegecção da reserva estratégica, conseguem adquiri-lo por um preço superior àquele que gastariam se utilizassem o petróleo disponível a nível nacional. Mas estão, consciente ou inconscientemente, a favorecer o seu preço elevado, mantendo uma procura elevada. São, aliás, um dos principais importadores deste bem energético. No entanto, para um bem energético essencial, que a médio prazo se esgotará nos diversos poços mais explorados, é uma jogada inteligente -- quando esse bem escassear, abrem os poços no solo do país, incluindo o Alasca, com uma taxa de exploração muito superior; somando as reservas estratégicas e esta capacidade de produção, tornar-se-ão muito menos vulneráveis, e poderão até surgir como primeiro exportador ao nível mundial, beneficiando de um preço inflaccionado pela relativa escassez.
São estas as lições de economia básicas que aprendi na Universidade: controlar os bens escassos de forma a poder obter benefício. E, outra noção mais geral: quando o mercado não funciona naturalmente, recorrer a expedientes para nosso próprio benefício.
A natureza do mercado petrolífero, tal como o dos diamantes, não é leal. Tentam-se obter as vantagens que advém de uma cultura egoista, casuistica, de oportunidade. A OPEP controla o mercado do ouro negro, tal como meia dúzia de países controlam o verdadeiro negócio de diamantes -- não apenas a sua exploração, propriamente dita, mas os canais de escoamento do produto, por vezes sacrificando povos inteiros aos quais, verdadeiramente, aquele produto pertence.
É caso para dizer: vale tudo, mesmo tirar olhos. No mercado livre, mas leal, que todos desejamos, devia ser regulado e fiscalizado por entidades internacionais, o controlo do fluxo destes bens devia ser transparente e concertado pelas Nações Unidas. Os países do G-20, ou G-7, em suma, aqueles com maiores responsabilidades políticas, tinham a obrigação estrita de fazer cumprir as regras básicas do mercado, sancionando eficazmente os países que não cumprissem a estrita legalidade económica. E a força seria usada na concertação mediada pelas Nações Unidas.
Só assim poderemos aspirar a um mundo com menos atropelos aos direitos humanos. A vida, prostrados, a um punhado de diamantes.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
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