terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Lazy days

Lazy days, em itálico, é o título.
Neste ano fomos brindados com a atrofia celebral dos correctores que vendiam produtos financeiros à bruta, ditos estruturados -- leia-se a burla mais alucinante que nos brindou com um fenomenal crash financeiro. Era mais ou menos assim, estou a simplificar:
  • os empréstimos eram concedidos a qualquer vagabundo, indiscriminadamente, pelo banco X;
  • o banco X adquiria dinheiro com base nos passivos adquiridos à offshore Y;
  • a offshore Y estruturava os produtos em Z1 ... Zn, e vendia os pacotes a uma empresa cotada na bolsa.
Quero lá saber da versão dos jornalistas, dos economistas, e dos políticos.
A vida no século XXI é pautada pela ignorância flagrante do que são os factores produtivos, engolindo os consumidores numa espiral de consumismo... que culmina no Natal, esse outro produto estrutural da cultura dita ocidental.

Se não, olhemos o gráfico com atenção: no início de Dezembro falava-se do colapso do sistema financeiro cujas causas e consequências reais e efectivas temos dificuldade em entender.
Aí está o PSI-20 abaixo dos 5900 pts. A espiral de confiança renasceu espantosamente, na primeira semana, e com apenas um leve soluço a subir até quase o final deste ano.

Venceu a preguiça do mundo ocidental, dito livre e democrático.
Porque apesar de toda a falta de competividade, o mundo, que é o nosso, é pretensamente imune à fantástica crise.

Não me convencem que são os milhões perdidos pelos especuladores envolvidos no Subprime a origem subtil do problema económico do nosso mundo: é, sim, a despudorada forma como a China e India se impõem como potencias de produção nos nossos dias.
Digo despudorada não só porque são, de facto, economias com um crescimento fantástico, mas porque os próprios governos atalham as deficiências naturais destes paises em desenvolvimento através de subsídios e social-dumping.

Na minha opinião o século XXI será fortemente marcado pela preguiça do mundo ocidental rivalizando as potencias em crescimento do oriente, em contraste com o colapso social na maior parte de África.

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